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Vargas

Vargas foi apresentado ao Avaí em 1980 e a história de sua contratação já é clássica, virou até capítulo de livro do Anatólio Pinheiro Guimarães, no livro Avaí em prosa e verso.
O futebol de Vargas despertou a atenção do Avaí desde a década de 70, quando ele ainda jogava pelo Joinville.Muito amigo de Cacau Menezes e das baladas, Vargas vivia mais em Florianópolis do que na Manchester Catarinense e tinha muito interesse em transferir-se para cá, ficando mais perto das festas e dos amigos.

O técnico do Avaí gostava muito de seu futebol, mas o Joinville não aceitava perder o jogador para o Avaí e acabou vendendo-o para o Francisco Beltrão, do Paraná.

Como Francisco Beltrão ficava mais longe ainda das festas da ilha, Vargas não quis jogar no Paraná. O Avaí entrou em contato com o time paranaense acertando o valor do passe em Cr$150.000,00, o mesmo que eles pagaram para o JEC.João Sallum, então presidente do Avaí, começou as tratativas e além do valor do passe Vargas pediu para jogar no Avaí, de luvas, um Chevette 0km, cor prata, o carrão da moda em 1980!

Mas, como a revenda da GM em Florianópolis era do Dr. Aderbal Ramos da Silva, avaiano de coração, tudo ficou acertado e Vargas assinou com o Avaí por três anos, mesmo prazo do financiamento do veículo junto a uma financeira, o jeitinho encontrado pelo Avaí em dissolver as luvas em 36 suaves prestações, além de alienar o carro, obrigando Vargas a cumprir o seu contrato para ficar com o Chevettão.No início de junho de 1980, Vargas chegou ao Avaí e treinava em separado, à espera de sua regularização. Em seu primeiro treinamento, jogando no time reserva, fez dois gols, demonstrou habilidade e precisão nos arremates e encheu os olhos de Áureo Malinverni, técnico avaiano, que pedia a maior urgência para a liberação do artilheiro.
O diretor de futebol do Avaí, Anatólio Pinheiro Guimarães, teve que viajar até na boleia de caminhão entre Francisco Beltrão e Foz do Iguaçu, ficar dois dias sem dormir, pedir dinheiro emprestado a um passageiro no Aeroporto do Galeão, perder o avião da Vasp, pernoitar em São Paulo na casa de um amigo (não tinha dinheiro para o hotel) e fazer interurbano a cobrar a fim de conseguir a liberação de Vargas em tempo hábil para jogar contra o Joinville pelo campeonato catarinense.


Ao saber da liberação do atleta, Malinverni comentou que a equipe com Vargas ganhou mais poder ofensivo, com mais arremates a gol e um melhor ligamento entre a meia cancha e o ataque.

Mas, o mais empolgado era o próprio Vargas que não via a hora de jogar:

“Não vejo a hora de entrar em campo e quero começar com o pé direito. E graças a Deus parece que estou com sorte, pois vou estrear justamente sobre o meu ex-time [o Joinville] e este fato me motiva muito, pois quero mostrar ao treinador Velha que deveria ser tratado com mais carinho, como gente. Aliás, não fui para Francisco Beltrão porque tinha que pagar uma dívida em Santa Catarina; E está chegando a hora”. (O Estado, 08/06/1980).
Mas, o belo discurso motivacional de Vargas ficou apenas nas palavras. Em seu jogo de estréia, em 08 de junho de 1980, o Avaí acabou derrotado pelo Joinville por 3 a 1, no Ernestão, e Vargas passou em branco, já que o gol avaiano saiu dos pés de Baianinho.
Apesar do desapontamento por sua estréia, as passagens de Vargas pelo Avaí (jogou também no Figueirense) no início dos anos 80 sempre foram marcadas por gol, gol, gol e mais gols.
Fui um dos grandes artilheiros do Avaí em cada campeonato disputado. Em sua primeira partida no Adolfo Konder, em 11 de junho de 1980 contra o Marcílio Dias, o gol avaiano que decidiu a partida foi dele: Avaí 1 a 0!Um dos seus jogos inesquecíveis com a camisa avaiana foi um clássico quente contra o Figueirense, em 1981, no Adolfo Konder, com o Avaí goleando por 4 a 0 e com 2 gols de Vargas.

Com o resultado o Avaí afundou o Figueirense numa crise e rolaram dispensas de jogadores, entre eles Balduíno, que na época vestia a camisa do time de lá.

Vargas ainda participou da Seleção catarinense que excursionou pelos Emirados Árabes e Malásia, em 1982. Marcou 8 gols e levou a seleção catarinense ao título da Merdeka Cup, da Malásia!
Atualmente Vargas continua às voltas com carros: atualmente trabalha com uma frota de veículos de passageiros em Florianópolis e pode ser encontrado com regularidade no Aeroporto Hercílio Luz.