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Fim de jogo

Faremos o anúncio de forma rápida como uma arrancada do Fantick e grossa como uma dividida do Téio: o site Memória Avaiana, como nós conhecemos hoje, acabou.

O site foi fundado em 2009 e desde então procurou ser um espaço coletivo para celebrar a nossa avaianidade através da valorização de nossa história.

Sempre fomos um site independente, mantido de forma voluntária e sem fins lucrativos por quatro torcedores do Avaí F.C., que tiravam dinheiro do bolso e tempo de suas vidas para exaltar os feitos de nosso clube.

Nestes quase sete anos de existência atingimos, sempre com a ajuda e o estímulo dos leitores, algumas marcas que nos orgulham, embora elas não cheguem aos pés das marcas atingidas por Saulzinho, Felipinho, Orivaldo, Balduíno, Décio Antônio e outros tantos recordistas azurras. Deixaremos a modéstia de lado e, tal qual Milton Maluco, contaremos alguns de nossos feitos:

– Foram mais de 2.500 postagens sobre a história do clube, relembrando atletas consagrados e os esquecidos, jogos eternos e os obscuros, escrevendo sobre o que ninguém esquece, sobre o que muitos não sabiam e sobre o que alguns gostariam de esquecer. Transformamos o site num espaço de preservação e extroversão de nossos indicadores de memória, mas também numa cancha de encontro, convivência, manifestação cultural, debate, estudo, lazer…

– Em nossos textos de opinião defendemos um clube transparente, democrático e envolvido com a comunidade. Recebemos críticas especialmente por nossos textos contra a homofobia, a xenofobia, o sexismo, o racismo, a mercantilização e a elitização no futebol, mas, esses talvez tenham sido os nossos melhores textos e escreveríamos tudo de novo.

– Com a ajuda dos leitores, buscamos construir uma ideia de “avaianidade”, ou seja, uma identidade para o clube e seus torcedores, buscando a intersecção entre a história das pessoas que construíram o Avaí (torcedores, profissionais, dirigentes), o seu contexto histórico e seus projetos envolvendo o clube. A avaianidade possui um caráter fluido, polissêmico e móvel, mas nossa paixão pelas cores e pelas “coisas” que este time faz é inegociável.

– Tivemos a oportunidade de sair do ambiente virtual e publicar textos na última fase da extinta revista do Avaí, além de termos uma parte de nossa produção aproveitada na publicação do almanaque de 90 anos do clube, num projeto capitaneado por dois dos mais experientes pesquisadores da história do Avaí e do futebol catarinense, Adalberto Klüser e Spyros Diamantaras, a quem somos gratos pelo estímulo e pelo auxílio de sempre. Ajudamos ainda a pautar matérias na imprensa, no site oficial do clube e nos tornamos referências bibliográficas para outros pesquisadores.

– Nos empenhamos em elaborar uma proposta, apreciada e aprovada pelo Conselho Deliberativo, para o estabelecimento, via reforma do estatuto, de uma política de clube voltada para o reconhecimento, valorização, proteção e difusão de seu patrimônio histórico. Temos hoje, pela primeira vez em mais de nove décadas de existência do clube, um estatuto que reconhece o seu patrimônio histórico e a necessidade de criação de um Centro de Documentação e Memória para a instituição.

Diante de um cenário de aumento de gastos e ausência de tempo para manter o site atualizado com o nível de qualidade que estamos acostumados, resolvemos sair no auge (como numa das tantas despedidas de M10) e deixar nos simpatizantes de nosso trabalho uma esperança de retorno (como nas saídas de Evando).

Não prometeremos, mas caso seja tecnicamente possível, deixaremos o conteúdo do site disponível em alguma plataforma gratuita, migrando o conteúdo para um blog, por exemplo, quando tivermos condições para tal.

No entanto, para ajudar a aguentar “essa barra longe de vocês” (dig dig dig iê), manteremos nossa página no Facebook (www.facebook.com/memoriaavaiana) e nossa conta no Twitter (@memoriaavaiana), plataformas gratuitas em que esporadicamente poderemos continuar interagindo nos momentos em que nossa memória avaiana começar a falhar e os feitos do clube de Régis, Rogério e Boos estiverem sob a ameaça de esquecimento.

Combatemos o bom combate, vencemos algumas batalhas e agora saímos de cena, abrindo espaço para novos interessados. Agradecemos a todos os torcedores que nos incentivaram e ao Avaí Futebol Clube por nos permitir contar um pouco de uma história que é também nossa.

Obrigado por tudo e voltamos a qualquer momento ou nunca mais.

Para o Avaí tudo, do Avaí nada!